10/15/2011

“Entorno” também é Brasília

Diretoria do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal e do Instituto Brasiliense de Estudos da Economia Regional (Ibrase)


 
A proposição feita por um parlamentar federal de que uma pequena parcela do Fundo Constitucional do DF - voltado para o financiamento das áreas de educação, saúde e segurança públicas -possa ser utilizada para o atendimento das necessidades dos dez municípios da área metropolitana de Brasília chama atenção para uma questão crucial que é a necessidade de ampliação do financiamento público nessa região, também chamada “Entorno do Distrito Federal”, e que deve ser discutida sem qualquer açodamento.


Nos últimos 30 anos, a elite de Brasília difundiu a percepção de que todos os problemas do DF tinham um único “culpado”, o “Entorno”: nossos hospitais estariam saturados por culpa do povo do “Entorno”; nossa taxa de desemprego está elevada porque o povo do “Entorno” rouba nossos empregos; o transporte é caótico por culpa do “Entorno”; a violência aumentou no DF porque o povo do “Entorno” vem para cá cometer crimes, entre outras coisas. O “Entorno” seria a nossa Baixada Fluminense.Pura xenofobia e preconceito!

A virtual Área Metropolitana de Brasília começou a se consolidar a partir da década de 1980, com o previsível espraiamento da mancha urbana do DF. De 180 mil habitantes em 1980, os dez municípios conurbados alcançaram os atuais 950 mil, que, somados aos 2,6 milhões de habitantes do DF, forma a sétima maior área metropolitana do país, com 3,55 milhões de habitantes. Ocorre que temos aqui uma situação inusitada, pois os municípios que formam nossa periferia metropolitana ficam em outra Unidade da Federação, o Estado de Goiás. Na prática, constituímos um único mercado de trabalho e de consumo. Ceilândia, Santa Maria e Planaltina são cidades-irmãs de Águas Lindas de Goiás, Novo Gama e Planaltina de Goiás, municípios quesão verdadeiros bairros de Brasília.

Aliás, grande parte dos 950 mil moradores desses municípios nasceram no Distrito Federal ou aqui residiram antes de terem que se mudar, em face do alto custo de moradia na Capital.

Mas não basta que os recursos financeiros sejam melhor distribuídos. O planejamento do DF e de nossa periferia metropolitana deveria ser integrado e estamos, há pelo menos 30 anos, atrasados nesta questão. A elaboração de um plano de desenvolvimento para a nossa área metropolitana é uma necessidade. Em suma, considerar o “Entorno” um problema exclusivo do Estado de Goiás é empurrar a questão para debaixo do tapete.

O “Entorno” deve ser responsabilidade conjunta do Governo de Goiás, do GDF e do Governo Federal. É totalmente pertinente discutir-se a utilização do Fundo Constitucional do DF para o financiamento das necessidades desses dez “b a i r ro s ” de Brasília, que apenas tiveram a má sorte de terem ficado do lado externo do quadrilátero. Que o debate flua sem preconceitos e açodamentos.

 
Fonte: Jornal de Brasilia - Editorial

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